uma sombra e o resguardo de um muro
Diante do clima quente e úmido da Tanzânia se propõe uma casa saudável, ventilada e arejada,
que dure ao tempo e que seja confortável, mas que também minimize todos os riscos de doenças
através de um adequado sistema de gestão dos
seus resíduos, caracterizando-se como uma casa limpa com um ciclo renovável de suas infras e
com impacto mínimo ao meio.
Dois pavilhões ventilados dispostos paralelamente e com um intervalo entre eles configuram
um pátio, local central da casa que organiza os acessos, a transição aos espaços internos, o
convívio, e seu devido resguardo à paisagem.
Ao centro, um grande reservatorio de captação da água da chuva colado ao bloco do banheiro,
ainda externo à casa, e associado a uma bacia de evapotranspiração que trata o esgoto da
casa pela decomposição e transpiração de plantas filtrantes.
Um sistema ecológico eficiente e sem cheiro, feito com materiais locais de baixo custo e em
utilização em contextos rurais semelhantes.
As coberturas são grandes planos de sombra pousadas sobre os muros laterais que encaminham
as águas para o pátio central. É uma casa varanda com franca ventilação e comunicação ao
exterior, mas sempre associado aos muros, ao solo,
ao resguardo, a uma certa discrição que lhe confere uma contraposição importante ao
equilíbrio que se deseja.
Ao mesmo tempo uma casa compacta que minimiza a área de intervenção no sítio. Visando a
auto-construção, uma estrutura modular que cruza sistemas leves de montagem com planos de
alvenaria tradicionais garante fácil expansão e replicabilidade
da casa a variados contextos, um sistema de ação contemporâneo à carência habitacional
africana.
projeto: Casa Tanzânia / concurso “African house design competition” promovido pela
Archstorming
localização: Karatu, Tanzânia
ano do projeto: 2022
área construída: 250m²
autores: Rodrigo Ferreira Oliveira + Bruno Lopes + Thomas Frenk + Fernanda Zotovici
premiação: Grupo de finalistas no concurso “Äfrican House design competition”
organizado pelo Archstorming